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sábado, 10 de julho de 2010

O papel maniqueísta e maquiavérico da mídia: formar e informar valores.

  
Entretenimento. Homogeneização de valores. Inserida nas sórdidas engrenagens do maquinário capitalista, a mídia alavanca o acesso à informação e constrói através da alienação os sujeitos consumidores de que o mercado necessita. Em meio a essa nefasta realidade, é possível existir democracia na imprensa?

Desde os seus primórdios, a humanidade é sedenta por comunicação. O advento da fala e da escrita possibilitou vantagens à sociedade na luta pela sobrevivência e na convivência coletiva. Após séculos, a segunda era industrial promoveu uma notável revolução no que concerne à integração entre as comunidades, através do surgimento da televisão. Este aparelho – capaz de sintonizar milhares de espectadores em torno do lazer ou da interatividade – serviu aos interesses de detenção do poder pelas elites.

Num âmbito repleto de desigualdades e exclusão, o anseio de desenvolvimento social equânime para os canarinhos foi sucumbido à funesta ideologia acumuladora do capital. A política milenar do “pão e circo” – alienação das massas para a manutenção de privilégios das minorias – é utilizada pela maioria da imprensa para entreter milhões de espectadores e apascentar o rebanho de mentes ociosas sedentas por informação. 

Fruto de um processo de urbanização defeituoso e da falta de compromisso governamental com o bem-estar coletivo, a violência impera nas grandes cidades. Sob um viés pseudomoralista e contraditório, a mídia taxa as vitimas de culpadas e alimenta a cultura do terror. Parafraseando a ideologia do escritor Fernando Anitelli, quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto. Sendo assim, a população homogeiniza seus paradigmas e alimenta o ciclo vicioso da luta de classes. 

Portanto, é irrefutável a atuação paradoxal da imprensa ao disseminar e impor seus valores. Para construir uma nação mais consciente e democrática, a mídia deve ser utilizada a favor da coletividade, a fim de que a população deixe de ser apenas espectadora da realidade que a cerca e se transforme em agente ativo na luta contra as desigualdades.

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